domingo, 1 de março de 2009

INTITULADO -- PT. 3

A polícia chegou à escola ás 8:00AM, pontualmente, conforme combinado no telefonema. A escola era composta por um prédio de três andares aonde ficavam as salas e outro de dois andares e um sub-solo, aonde ficavam as demais instalações da escola como, a biblioteca, sala de computadores, laboratório de ciências, sala dos professores e cantina. Ao fundo, uma quadra poliesportiva. Na entrada do prédio das salas, quatro cartazes com fotos de Jorge e depoimentos de amigos e professores manifestavam seu apoio à família de Jorge, e sua solidariedade. Bruno e Gabriel assinaram nos cartazes, numa demonstração de luto por Jorge, Rafael passou direto e foi para a sala 3A, aonde estudava.

Ao término da aula, os três se dirigiram ao auditório, aonde a polícia fez uma breve introdução das investigações e pediu que toda e qualquer pessoa que conhecia Jorge, pelo mínimo que fosse, deveria prestar depoimento na delegacia. Disseram ainda que qualquer pista poderia ser fundamental para a solução do caso e que não haveria aula no dia seguinte. O delegado ainda pediu que todos se retirássem, exceto os colegas de sala de Jorge, seus professores e funcionários da escola. Todos receberam convite especial para depôr, especialmente os colegas de sala. Entre eles, André, Johnny e Laysa, chamaram o delegado após a reunião. Eles alegaram ser os amigos mais próximos de Jorge, o que de fato, eram. André ajudava e era ajudado por Jorge em lições de casa, Johnny jogava xadrez e pôker com Jorge nos intervalos e após as aulas, e também estudavam juntos, Laysa estudava com Jorge havia quatro anos, e se conheciam muito bem. Moravam em ruas próimas, por muitas vezes, os pais de Jorge levavam Laysa para casa e vice-versa. Os três disseram ao delegado que iriam comparecer à delegacia na manhã seguinte, ás 11:00AM, para o depoimento.

André, Johhny e Laysa foram a um shopping center próximo, a convite de Johnny. Passaram a tarde na praça de alimentação. Conversavam sobre o que dizer ao delegado, as lembranças que tinham ao lado de Jorge e quando e como ele os havia ajudado. Por cerca de três vezes, Laysa ameaçou um choro, levada pela carga emocional que sentia, sua tristeza em perder um amigo, sua saudade dele, e de todas as risadas que deram juntos. André e Johnny lhe ofereceram refrigerante, alguns lenços de papel e algumas palavras de conforto.

- Obrigada... - Laysa sabia da importância dos amigos em horas como essa - Vamos embora?!

- Vamos! - Johnny concordou de imediato - A gente se encontra na delegacia ou na frente da escola?!

- Na frente da escola, meu pai leva a gente pra lá, depois a gente volta de táxi. A delegacia não é longe daqui - André afirmou. Ele também sentiu pelo falecimento do colega, havia perdido a conta de quantos '9' e '10' tirara com o auxílio de Jorge.

Da mesma forma em que os três estavam reunidos, Bruno, Gabriel e Rafael estavam sentados numa mesa de bar, a dez quadras da escola.

- E aí?! - Questionou Bruno - Que a gente faz agora?!

- Nada! - Rafael respondeu em tom seco - A gente não faz nada! Fala que não sabia de nada, não vimos ninguém, nem menos ele no dia e pronto!

- Sei lá, cara - Bruno mostrava um sério arrependimento - Podem desconfiar se a gente não depôr.

- Desconfiar de quê, cara! Você acha que todo mundo vai depôr, menos a gente?! Se bobear, só a classe dele vai depôr, os professores e o cara da biblioteca. Daí a polícia não volta aqui e pronto!
Bruno não se convenceu totalmente da resposta de Rafael. Ele ainda se sentia responsável, ainda podia ver os olhos de Jorge ao se deitar, e ouvir suas súplicas no silêncio da noite. Não dormia desde a madrugada em que limpou o sangue de suas mãos. Ainda sentia o cheiro dos sacos e do vestiário.

O dia amanheceu nublado, não passava dos 20ºC. André chegou á escola com o pai, Johnny e Laysa dividiam uma garrafa de 600ml de Coca, e mais algumas lembranças. Entraram no carro do pai de André sem dizer muito e seguiram para a delegacia. Laysa quebrou o silêncio, ao dizer que mal conseguiu dormir, e relatou um telefonema para André no meio da madrugada. Andre confirmou, disse que também teve insônia, mas chegou a dormir umas duas horas. Os três pensavam em como começar a relatar suas histórias para a polícia. O carro parou numa vaga e os quatro desceram.

- Pode chamar! - Grita o delegado para seu assistente.

(Continua...)

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