A CASA 66
Nem mesmo o carteiro, aquele bom moço que costumava passar em todas as casas da rua Balthazar, era conhecido por todos os moradores da rua, sempre trazendo as correspondências esperadas e com suas boas dicas sobre como reduzir suas contas, minimizando aquela tradicional correria no início de cada mês, chegou a ter a ousadia de tocar a campainha da casa nº66, a última da rua. Ninguém sabia ao certo por quê, mas havia uma grande desconfiança sobre a casa. De todas as casas da rua, era a única cujo quintal não era lá dos mais bem cuidados, tão pouco a cerca da casa, e a própria. Exceto pelo telhado, que era constantemente reparado. Seus vizinhos mais próximos, a casa nº64, dos Alvez Diaz, alegam ter visto alguns casais adentrando na casa e saindo sem falar uma palavra.
Acima da porta da frente havia uma estaca, algo como uma mastro de uma bandeira, porém sem a própria. Na manhã de uma fria sexta-feira de julho, dia 13, a estaca amanheceu sendo sobreposta a uma bandeira negra, e um tapete vermelho ligava a caixa de correspondência á porta da frente. Ao meio-dia, a casa dos Alvez Diaz recebia a visita de amigos. Era o aniversário de um ano da casa. Eles não possuíam filhos, mas eram casados há 1 ano e meio, e há 1 ano exato, efetuaram a compra da casa. Todos arrumavam a casa para a festa que iria ocorrer naquela noite. Cada um deveria trazer alguma coisa.
20:13hs. A casa nº66 dava sinais de movimento. Havia várias luzes acesas, e uma movimentação nos fundos da casa. Três cães eram alimentados. A casa nº64, estava pronta para o início das festividades. Ás 21:13hs, os convidados chegaram.
22:00hs. Enquanto rolava a festa na 64, um casal amigo dos donos, Francisco e Mariana, fitava a casa 66 por uma das janelas, próxima á porta da frente.
- Você conhece seus vizinhos?!
- Já jantamos umas 3 vezes na casa 62, eles eram foram muito gentis. Na 65 já fui jogar pôquer, a última vez foi na semana passada.
- E na 66?
- Nunca falei com eles. O cara da 65 me disse que eles são sequestradores. Achei que fosse piada...
Francisco fechou levemente a porta da frente, e caminhou até a fachada da frente da casa 66. A luz do porão estava acesa. Ele toca a campainha.
Um velho senhor abre a porta.
- Quem é?!
- Oi... - Francisco não sabia bem o que falar - Ahm..., meu nome é Francisco Salto, eu sou amigo dos donos dessa casa...
Antes que terminásse, o senhor fechou a porta. A luz do porão continuava acesa.
- Que você tá fazendo aqui?! Marian o tomou de susto
- Ah, só queria ver se eles querem vir pra festa!
- Eu não gostei daqui, vamos embora, vem!
- Tá legal!
Enquanto caminhavam á porta, Francisco acendeu um cigarro. Mariana pegou outro do mesmo maço e acendeu-o. Após alguma tragadas e uma breve conversa jogada fora, ouvem passos rápidos. Um dos cães, um rottweiler aduto, surge do quintal da casa 66, pula a cerca e abocanha Mariana no pescoço. Ambos caem contra a porta. O casal tenta afastar o cão, quando este ataca Francisco. Mariana abre a porta procurando ajuda, ela já esta cambaleando, o Rottweiler abriu uma grande ferida em seu pescoço e sangue arterial saía esguichado, 'pintando' a parede. Todos na festa se dão conta da situação. Dois rapazes pegam uma cadeira cada e tentam atingir o Rottweiler. Quando um deles põe-se para o lado de fora, outro Rottweiler, ainda maior do que o primeiro, se juntou a este, e ambos estão devorando as tripas do jovem. Mariana cai no chão, sem vida, e sua trilha de sangue ocupa toda a entrada.
O segundo Rottweiler salta contra o rapaz, e ambos caem contra a porta, quebrando-a. Ao caírem no chão, um Pitbull se coloca ao seu lado e os dois páram por 10 segundos. Eles encaram as pessoas nos olhos, farejam seu medo e desespero, e atacam a garganta do rapaz caído sob o Rottweiler. O outro rapaz que pegou uma cadeira atirou-a contra uma das janelas, numa desesperada tentativa de fuga. O Pitbull corre e o derruba, repetindo o modus operandi de seu 'aliado', atacando a jugular do rapaz, depois desmembrou a perna direita do rapaz. O restante dos convidados subiu para o andar superior, entraram no quarto do casal e trancaram a porta. Os cães terminavam de devorar, um dos Rottweiler foi até a cozinha, o outro subiu na mesa de jantar e devorou tudo o que lá havia. O Pitbull foi até a porta da frente, e mandou uma seqüência de latidas que ecoou por toda a rua. A casa 62 acordou pelas latidas, e um jovem olhou pela janela.
O velho senhor saiu da casa 66 e foi ao encontro do Pitbull. Ele trajava um longo sobretudo preto. O cão farejou na escada e apontou com o focinho para o andar superior. O velho olhava a sala, os móveis desordenados, os cadáveres e o sangue ao chão, e os vizinhos, que não se atreveram a por o pé fora de casa e se limitaram a observar, em sua 'segurança', os acontecimentos na casa 64. O velho os fitou por um segundo, antes de subir ao andar superior. Os cães o seguiram. O velho olhou para o Pitbull e apontou para a porta do quarto do casal.
- Vai!
O cão obedeceu prontamente e arrombou a porta. As pessoas se amontoaram no canto oposto. O sr. Alvez Diaz tentou ficar á frente delas e encarar o velho, que apontou para ele.
- Não tente fazer isso de novo! - Fora tudo o que disse, antes de voltar à escada. Os cães voltaram a seguí-lo. No andar inferior, o velho pegou a perna que o Pitbull havia desmembrado e a levou até a sua casa, para que os cães a terminássem. Na casa 65, um casal se atreve a sair e iluminar a casa 66 com duas lanternas de longo alcance. Uma delas iluminou a face do velho, com sua grande cicatriz que cortava sua testa ao meio. As luzes se apagarm quando ele apontou para a casa 65, os cães se puseram ao seu lado.
- Vão!
FIM
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
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