terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

INTITULADO -- PT. 1

O relógio já batia as dez horas da noite de quinta-feira. O apartamento número 1025, no décimo andar de um edifício na última quadra da rua Teixeira Lopes, se encontrava com todas as luzes acesas. Os telefones tocavam a todo momento. Na sala de estar, um casal se vê á beira da agonia, enquanto busca alguma pista sobre o desaparecimento de seu filho, Jorge, de 15 anos. Ele estava sumido desde o meio-dia, quando saiu da escola, mas não fora visto em nenhum lugar que freqüentava. Nem no clube, na bilioteca, na loja de CDs que sempre ia, na casa de algum de seus amigos mais próximos, nem na própria escola, aonde possivelmente voltaria para revisar o conteúdo das próximas aulas. As provas se aproximavam, e Jorge era um típico aluno, como se diz, "CDF".

Dez e meia. O telefone toca novamente na casa dos Teixeira. A mãe, trêmula nas mãos, atende. Um funcionário da escola havia ligado. De acordo com ele, Jorge foi visto deixando a escola acompanhado por três alunos da 8ª série. Ele os identificou como Rafael, Gabriel e Bruno.

A mãe de Jorge anotou os nomes dos alunos e solicitou seus números de telefone e suas classes. Durante a manhã de sexta, os três rapazes receberam telefonemas da mãe de Jorge. Com a voz já enfraquecida pela tensão e falta de sono, ela perguntou se eles sabiam aonde Jorge estava. Nenhum soube dizer, mas Bruno disse que o vira numa rua movimentada da cidade, próxima ao parque dos imigrantes, frequentado por pessoas que treinavam para provas de atletismo. A pista sempre estava com gente entrando e saindo, e o restante do parque na mesma situação. Os vendedores de bebidas e repositores energéticos quase não descansavam, especialmente nos finais de semana.

Os pais de Jorge passram a tarde no parque e nas proximidades. Munidos de fotos de Jorge, perguntavam a vendedores, seguranças e policiais se alguém havia visto seu filho. Com o consentimento e ciência da coordenação do parque, colocaram cartazes de 'procura-se' com a foto mais recente de Jorge que tinham. Nela, ele trajava uma camiseta azul-escuro e jeans. Jorge sempre teve o azul como sua cor em preferencial.

Domingo. 13:15. Aquele mesmo telefone tocou duas vezes, antes da irmã de Jorge, Izabella, atender. A pessoa não quis se identificar, mas deu detalhes do local no parque aonde ela viu Jorge na quinta. O recado foi entregue de imediato aos pais de Jorge, à direção da escola e à polícia. Ás 16:00 o local estava isolado e buscas eram feitas nele e em alguns locais próximos, identificados pela testemunha. Dois cães da polícia apontavam seus olhares para o vestiário masculino próximo á pista, aonde entraram dois policiais e os pais de Jorge. Os cães foram para o mesmo local, o armário de utensílios. Quando a porta se abriu, um silêncio tomou conta das seis pessoas presentes no local.

(Continua...)

Nenhum comentário:

Postar um comentário